sábado, 1 de março de 2014

CAPA E PAGINAÇÃO DE "A MARINHA DE GUERRA PORTUGUESA E A MAÇONARIA" de António Ventura (NOVA VEGA)


A MARINHA DE GUERRA PORTUGUESA 
E A MAÇONARIA
De António Ventura

PAGINAÇÃO E CAPA
Para Nova Vega
(Novembro 2013)

No início de Setembro de 2013 a Nova Vega encomendou-me a paginação e capa para o livro A MARINHA DE GUERRA PORTUGUESA E A MAÇONARIA, do Prof. António Ventura, Professor Catedrático do Departamento de História da Faculdade de Letras de Lisboa. Director da Revista da Faculdade de Letras de Lisboa. Director do Centro de História da Universidade de Lisboa, etc, etc...

Fiquei à espera do material para paginar e, quando este chegou, já quase no final de Setembro, dei de caras com cerca de 210 fotografias para incluir na paginação, quase todas elas do primeiro quartel do século XX, algumas da mítica revista Ilustração Portugueza, mas a maioria, fotografias individuais para os cerca de 200 biografados no livro.

Devido à disparidade de formatos das fotografias e seus enquadramentos, muitas delas inseridas em vinhetas ovais, como era típico na época, foi necessário não só limpá-las como reenquadrá-las, para haver alguma homogeneidade na paginação.

Seis exemplos típicos das fotos:

  

 Algumas páginas concluídas:

 
  

 Para a capa, o autor enviou-me duas ilustrações que, apesar do seu significado e qualidade, se revelaram de imediato inadequadas para capa. Mesmo assim fiz os respectivos ensaios:

 Peças de serviço de mesa da Marinha Portuguesa


Passei então à pesquisa de navios de guerra que tivessem tido alguma relevância no "10 de Outubro" - implantação da República em Portugal. Eis algumas.

Cruzador S. Gabriel - cuja imagem (diferente desta) está incluída no miolo do livro (ver miniatura da página respectiva mais acima).

Cruzador Adamastor - a única imagem em fotografia com qualidade suficiente que encontrei - acabou por ser a imagem do ensaio de capa escolhido pelo editor, pelo que deixo abaixo a informação sobre este vaso de guerra, que coloquei na ficha técnica do livro, por me parecer relevante em vários aspectos:

O Adamastor foi um cruzador da Marinha Portuguesa, construído nos Estaleiros Navais de Livorno, Itália em 1896 e financiado pelas receitas proveninentes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao ultimato britânico de 1890, o seu custo na altura foi de 381 629 000$000 reis (1.900,00 €, cerca de 8 milhões de Euros em valores actuais). O seu primeiro comandante foi o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral.
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República Portuguesa, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio Real das Necessidades.
Durante o seu período de serviço o Adamastor percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos portugueses, desde Angola a Timor. Também fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil ou o Japão.
Na Primeira Guerra Mundial, o Adamastor tomou parte activa nas operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique.
Foi desactivado em 1934 e vendido à Firma F. A. Ramos & Cª., pelo preço de 60 850$00 (303,51 €, cerca de 52 mil Euros em valores actuais).

Símbolo da Maçonaria já limpo do fundo original

A ideia base foi portanto conciliar a imagem (ou parte dela) de um dos navios e através de transparências, colocar o símbolo da Maçonaria em fundo;

 Inverti a foto para dar mais dinâmica à capa, no sentido da abertura e leitura do livro.

Capa Final aprovada (pediram-me para escurecer a imagem um pouco mais em relação à primeira prova - acima, à direita).

Resultado final:


Plano da capa total:

Contracapa, capa e badanas.

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domingo, 29 de setembro de 2013

PARA AS EDIÇÕES 70 (1985/88) – CAPAS PARA A COLECÇÃO “OBRAS DE JOSÉ LUANDINO VIEIRA” E PARA A UNIÃO DE AUTORES ANGOLANOS


PARA AS EDIÇÕES 70 (1985/88)
CAPAS PARA A COLECÇÃO
“OBRAS DE JOSÉ LUANDINO VIEIRA” 
E PARA A UNIÃO DE AUTORES ANGOLANOS

Como este blogue me serve também para fixar alguns momentos, por vezes hilariantes, que já vivi em 35 anos de profissão, faço pequenas introduções escritas das minhas memórias, para que se perceba como as coisas se processavam na altura.

Nas Edições 70, em 1985, comecei por trabalhar na sala da Produção. A editora tinha sede no rés-do-chão esquerdo do nº 69 da Avenida Duque de Ávila e a Produção era numa sala do 1º andar. Uns meses mais tarde arranjaram-me um pequeno “atelier” numa sala de arrumações desse 1º piso. Depois de fazer o Boletim Editorial para a Feira do Livro desse ano – trabalho para o qual tinha sido contratado (como penso que já disse, respondi a um anúncio publicado no JL) –, J.J. Soares da Costa propôs-me fazer uma capa de livro para ver como é que eu me desenrascava. Já não me recordo qual foi a primeira capa, mas penso que foi para a colecção Lugar da História... Desenrasquei-me satisfatoriamente e comecei então a fazer capas para as 70.

Um dia, passava pelo corredor do rés-do-chão e percebi que havia uma grande discussão, em “alta voz”, na sala de reuniões. Achei estranho e esperei um pouco para tentar perceber o que se passava – a curiosidade é um bicho do caraças. Passados alguns minutos, sai um tipo da sala, com um rapaz ao lado. O tipo, soube depois, era o Victor Mesquita (com o filho) e estava com cara de poucos amigos. Passadas umas duas horas fui chamado à sala de reuniões pelo “Sr. Director J.J. Soares da Costa”, que também ainda estava com cara de poucos amigos e que me expôs a situação, mas adoptando de imediato o seu estilo polido característico, tão característico como o “ar amigável” de algumas serpentes:

– Machado Dias, precisamos de uma capa para um livro das obras do Luandino Vieira, muito rapidamente. Acha que consegue? Dois dias, três dias, não mais...

– Penso que sim. Não há problema. Mas... não havia um tipo que fazia estas capas?

– Isso não vem ao caso agora. Só lhe digo, que nunca se meta com aldrabões que pensam ter o rei na barriga... pode dar-se mal. Mas essa gente comigo não leva nada!!!

Bom. Foi assim que “sucedi” ao Victor Mesquita como capista das Obras de Luandino Vieira – mais tarde haveria de suceder ao José Ruy como capista da Editorial Notícias... Mais tarde isto pareceu-me ter sido tudo um “desígnio”, “um fado”, uma “emboscada”, sei lá... a Banda Desenhada, a que eu não ligava “pevide” na altura, estava por todo o lado, escondida, mas rodeava-me, pronta a atacar... e eu deixei-me ir na fita - até hoje.

No ano seguinte (1986), conheci Luandino Vieira em pessoa, naquela mesma sala de reuniões, quando me foram pedidas capas para a parceria que as Edições 70 tinham com a União de Escritores Angolanos. Lembro-me do espanto do Luandino quando apresentei o original da capa para o seu livro Nós os do Makulusu (maior que um A3), para a versão da UEA. Rui Oliveira, a “mão negra” de Soares da Costa, esclareceu o autor angolano, na sua voz sibilina – mais mortífera que a do patrão – “não se espante, o Sr. Machado Dias, tanto faz originais mastodonticos, como miniaturas que mal se vêem...” – respondendo eu que as miniaturas não eram a minha especialidade...

O Luandino riu-se muito e ficámos par aí.

Aqui ficam algumas das ditas capas – as que guardei e arquivei...

Capa de Victor Mesquita

Duas das minhas capas para Obras de Luandino Vieira:

Motivo - Montagem fotográfica. 
Fundo - montagem fotográfica trabalhada a aguarela e tinta-da-china

Motivo - pormenor de fotografia. Fundo - pormenor de fotografia muito desfocada.

Para a União de Escritores Angolanos:

Original - um pouco maior que um A3 - Guache e lápis-aguarela
A capa:

Original em A3 - pintado a lápis de aguarela

Original em A3 - Guache e lápis-aguarela
A capa:
Montagem fotográfica em fotocópias trabalhadas a lápis-aguarela e tinta-da-china

Montagem fotográfica

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

CAPAS PARA A EDITORIAL NOTÍCIAS – 1988-1994



CAPAS PARA A EDITORIAL NOTÍCIAS
1988-1994

Em 1988, quando ainda trabalhava nas Edições 70 – quase de saída na altura –, recebi um telefonema de Virgínia Caldeira, directora de produção da Editorial Notícias – e que tivera nas Edições 70 o mesmo cargo, durante ano e meio ou dois anos, após ter saído da D. Quixote. Na Editorial Notícias, o capista era José Ruy, que deixara de realizar as capas da editora, para se dedicar em exclusivo à Banda Desenhada – o que continua a fazer ainda hoje, em grande ritmo produtivo, com os seus 83 anos que parecem nunca lhe pesar (um grande abraço para ele). Era então necessário fazer uma capa para a colecção Obras de Romeu Correia. Aceitei. E foi assim que passei a realizar as capas da Editorial Notícias, durante mais ou menos cinco anos – até 1994 – não como “gráfico residente” como era nas Edições 70, mas trabalhando no meu próprio atelier, “à peça”.

Aqui ficam então algumas das capas que realizei para a Notícias – aquelas com que fiquei e arquivei, obviamente, porque a grande maioria das que fiz nem sequer as vi impressas...

1988


1989


1990


1991


1992


1993


1994


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

CRÓNICA DA CASA ARDIDA, DE PIRES CABRAL – UMA CAPA PARA A EDITORIAL NOTÍCIAS QUE DEU QUE FALAR... em 1992


CRÓNICA DA CASA ARDIDA
DE PIRES CABRAL
UMA CAPA PARA A EDITORIAL NOTÍCIAS QUE DEU QUE FALAR...
em 1992

Mais uma encomenda da Editorial Notícias, entre tantas outras, mas que acabou por dar algum “barulho” na imprensa e até na televisão, pelos motivos mais inesperados. Acontece que eu não li o livro e falei com Pires Cabral, o autor, sobre o que ele quereria para a capa – contou-me, por alto, a história que havia escrito. Fiquei com a ideia de que ele queria na capa, sobretudo, a imagem de um pequeno solar do interior da Beira...

Encontrei a fotografia de um solar (não sei qual – foi um qualquer), que me pareceu apropriada e realizei uma montagem como fazia naquela altura, com sobreposição de imagens, para dar a ideia da casa em chamas. A capa foi aprovada, o autor gostou, o livro foi publicado – caso arrumado!

Eis senão quando...

... recebo um telefonema da directora de produção da Editorial Notícias:

- Machado Dias! Temos um problema grave com a capa da Casa Ardida!

- Bem, não me diga que por causa de direitos da imagem...

- Não! O caso é mais grave! Os proprietários daquele solar, cuja foto você usou, querem que o livro seja retirado de circulação porque... o solar ardeu mesmo, depois do livro ser publicado! A família está chocada e diz que a culpa foi do livro ter aparecido.

Ia-me dando um treco!

Claro que o livro não foi retirado. Mas no dia seguinte recebo em casa uma equipa de reportagem da RTP e fui entrevistado pelo Rui Direitinho. Se teria havido “macumba”, "ciências ocultas" ou coisas no género, se conhecia alguém ligado à propriedade – herdeiros ressabiados, coisa assim... Eu só tinha vontade de rir, mas lá fui respondendo (muito sério, claro – e até com ar de poucos amigos), que não, que foi uma coincidência escabrosa, não fazia a mínima ideia do que acontecera, só tinha escolhido uma simples fotografia, etc, etc...

A peça foi para o ar no telejornal das nove (ou era às oito?), apresentada pelo “orelhas” José Rodrigues dos Santos. O que eu me ri nessa noite! Mas no dia seguinte os vizinhos gozavam comigo na rua: Agora deu em incendiário? Não tem vergonha! Coitadas das pessoas! E riam-se...

Nunca soube o que se passou, nem porque é que a tal casa ardeu. Mas por causa da capa do livro, não me parece que tenha sido...

Enfim, nunca me tinha acontecido tal coisa.


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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

UM FADO PARA CORTO MALTESE – UMA PRANCHA “RECICLADA” PARA O FANZINE EFEMÉRIDE #5 DE GERALDES LINO E... OUTRAS PRANCHAS “ORFÃS”...


UM FADO PARA CORTO MALTESE
UMA PRANCHA “RECICLADA” 
PARA O FANZINE EFEMÉRIDE #5 DE GERALDES LINO
E... OUTRAS PRANCHAS “ORFÃS”...

Quando fundei a Pedranocharco Publicações, em 1995, para além dos dois volumes de As Aventuras de Paio Peres, que foram efectivamente publicados, com argumento meu e desenhos de Victor Borges, realizei 3 ou 4 primeiras pranchas para outras tantas histórias, que pensava vir a publicar em álbuns na nova editora, para além dos 21 álbuns programados para a série do Paio Peres – era trabalho para o resto da vida, ou quase. As pranchas que mostro abaixo referem-se a Um Fado para Corto Maltese (uma história que envolvia a encenação de uma peça de teatro sobre Corto Maltese e que acabaria por envolver ficticiamente Joaquim Benite – então director da Companhia de Teatro de Almada – Fernando Pessoa, Aleister Crowel e a aparição de Hugo Pratt – falecido nesse ano – e do próprio Corto Maltese em pessoa). Pelo Meridiano de Tordesilhas – crónica da saga das negociações e espionagem que culminariam na assinatura do Tratado de Tordesilhas. Sob o Signo do Pelicano (uma história de BD em vários volumes sobre o nascimento e as diatribes da espionagem de D. João II enquanto ainda príncipe e por aí fora...) – o primeiro volume começou a ser desenhado por Vitor Borges, mas era uma trapalhada explicar-lhe o argumento, porque ele não sabia sequer quem era esse... D. João II. E finalmente uma ou duas histórias adaptadas de O Delta de Vénus de Anaïs Nin. Claro que nada disto foi avante, não passando de muita investigação, argumentos meio escritos, primeiras pranchas desenhadas, etc... 

 Um Fado Para Corto Maltese...
Ver a "reciclagem" desta prancha mais abaixo.

 Pelo Meridiano de Tordesilhas...

 Sob o Signo do Pelicano - O Espião de Veneza...

O Delta de Vénus - Artistas e Modelos (segundo o livro de Anaïs Nin)...

Quando Geraldes Lino me convidou no início de 2012 para participar no seu fanzine Efeméride #5, encontrei um destino para a prancha do meu Fado para Corto Maltese e adaptei a prancha original, em A4, para um A3, acrescentando novas vinhetas e dando um sentido diferente à história – aqui fica, tal com foi publicada no Efeméride #5:


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