segunda-feira, 19 de agosto de 2013

UM FADO PARA CORTO MALTESE – UMA PRANCHA “RECICLADA” PARA O FANZINE EFEMÉRIDE #5 DE GERALDES LINO E... OUTRAS PRANCHAS “ORFÃS”...


UM FADO PARA CORTO MALTESE
UMA PRANCHA “RECICLADA” 
PARA O FANZINE EFEMÉRIDE #5 DE GERALDES LINO
E... OUTRAS PRANCHAS “ORFÃS”...

Quando fundei a Pedranocharco Publicações, em 1995, para além dos dois volumes de As Aventuras de Paio Peres, que foram efectivamente publicados, com argumento meu e desenhos de Victor Borges, realizei 3 ou 4 primeiras pranchas para outras tantas histórias, que pensava vir a publicar em álbuns na nova editora, para além dos 21 álbuns programados para a série do Paio Peres – era trabalho para o resto da vida, ou quase. As pranchas que mostro abaixo referem-se a Um Fado para Corto Maltese (uma história que envolvia a encenação de uma peça de teatro sobre Corto Maltese e que acabaria por envolver ficticiamente Joaquim Benite – então director da Companhia de Teatro de Almada – Fernando Pessoa, Aleister Crowel e a aparição de Hugo Pratt – falecido nesse ano – e do próprio Corto Maltese em pessoa). Pelo Meridiano de Tordesilhas – crónica da saga das negociações e espionagem que culminariam na assinatura do Tratado de Tordesilhas. Sob o Signo do Pelicano (uma história de BD em vários volumes sobre o nascimento e as diatribes da espionagem de D. João II enquanto ainda príncipe e por aí fora...) – o primeiro volume começou a ser desenhado por Vitor Borges, mas era uma trapalhada explicar-lhe o argumento, porque ele não sabia sequer quem era esse... D. João II. E finalmente uma ou duas histórias adaptadas de O Delta de Vénus de Anaïs Nin. Claro que nada disto foi avante, não passando de muita investigação, argumentos meio escritos, primeiras pranchas desenhadas, etc... 

 Um Fado Para Corto Maltese...
Ver a "reciclagem" desta prancha mais abaixo.

 Pelo Meridiano de Tordesilhas...

 Sob o Signo do Pelicano - O Espião de Veneza...

O Delta de Vénus - Artistas e Modelos (segundo o livro de Anaïs Nin)...

Quando Geraldes Lino me convidou no início de 2012 para participar no seu fanzine Efeméride #5, encontrei um destino para a prancha do meu Fado para Corto Maltese e adaptei a prancha original, em A4, para um A3, acrescentando novas vinhetas e dando um sentido diferente à história – aqui fica, tal com foi publicada no Efeméride #5:


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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O PEQUENO HERÓI DA TRAVANCA – CAPA – ILUSTRAÇÕES E PAGINAÇÃO


O PEQUENO HERÓI DA TRAVANCA
ILUSTRAÇÕES, CAPA E PAGINAÇÃO

Esta “saga” foi a mais demorada e trabalhosa de todas as que tive para a Nova Vega.

Em finais de 2010, Assírio Bacelar (o editor da Vega e Nova Vega, com quem trabalho desde 1983, com algumas interrupções pelo caminho) mostrou-me um texto que tinha escrito para uma faixa etária de jovens adolescentes, ao estilo dos romances de aventuras de, digamos, Emilio Salgari. Era uma coisa curta, baseada numa história meio lendária, acontecida na região de Paredes de Coura (a terra de Assírio), durante a Guerra da Restauração: a Batalha da Travanca. Imaginara um adolescente, de 13/14 anos, que queria participar activamente na luta contra os “espanhóis”. Ele gostaria que fosse eu a ilustrar o livro. Acedi, porque já há muito tempo que não fazia ilustração...

Primeiro tive que o convencer (não foi difícil) a alterar o texto: nessa altura não havia “espanhóis” mas sim castelhanos. O rei Filipe IV de Castela, Aragão, Galiza, etc..., etc... era titular do reino de Portugal como Filipe III. Assírio Bacelar remodelou o texto nesta concepção, historicamente mais acertada das coisas e comecei a ensaiar uma ilustração num estilo que já vinha a utilizar em algumas ilustrações de capas para a Nova Vega, recorrendo ao “rastreio de contorno” – uma ferramenta do Corel Draw – para os fundos, onde faria a colagem dos desenhos das personagens... Assim realizei a primeira ilustração experimental, a cores, em Fevereiro de 2011. O livro teria o formato de 22 x 28,50 cm.

Assírio Bacelar contava com o apoio da Câmara Municipal de Paredes de Coura, que tardou a responder à proposta de co-financiamento e... passado mais de um ano, aterramos em Julho de 2012. O livro passou então ao formato da colecção Na Rota da Aventura (14 x 21 cm) e... a preto e branco.

Arranquei finalmente com as ilustrações e entre o meio de Julho e meados de Agosto de 2012 realizei quatro ilustrações mais a capa, que seria A Batalha da Travanca e que me deu um trabalho enorme (cerca de duas semanas intensas): essa ilustração foi desenhada em diversos pormenores isoladamente, que depois foram coloridos digitalmente e montados no conjunto do desenho final. Depois esse desenho (projectado para ser a capa) seria transformado em cinzentos e daria a 12ª ilustração do miolo – sendo que o desenho a tinta da china do motivo principal (as três personagens principais a cavalo), foi usado para o “rosto do livro”. Parei então de novo devido às indecisões da Câmara de Paredes de Coura e do próprio autor/editor. Fui fazendo entretanto ilustrações que não estavam previstas: as armas e protecções usadas na altura da Guerra da Restauração e as bandeiras, brasões e estandartes da época nesse contexto (ilustrações 10 e 11).

Em Julho de 2013 chegámos à conclusão que era preciso terminar aquilo definitivamente. O autor/editor resolveu não esperar mais pela decisão da Câmara e pediu-me para avançar e terminar. Assim, entre 12 de Julho e 5 de Agosto deste ano da graça de 2013, estive agarrado ao estirador e ao computador para acabar a coisa.

No entanto, embora o estilo e o princípio técnico fosse o mesmo, notam-se algumas diferenças entre as ilustrações nº 4 e 5 - a última que fiz em 2012 e a primeira de 2013...

Finalmente a paginação e o livro ficou pronto, foi para a gráfica e está disponível para venda ao público desde o passado dia 12 de Agosto.

Aqui ficam todas as imagens:

A ilustração de ensaio (Fevereiro de 2011)

A Batalha da Travanca

O rosto...

Ilustração 1...

2 (página dupla)...

3... 

4... 

 5... 

 6... 

 7...

 8...

 9 (página dupla)...

 10 (página dupla)...

 11...

 12 (A Batalha da Travanca - página dupla)...

 13 (página dupla) ...

 14...

15...

A CAPA

A minha proposta inicial...

a alternativa...

 A capa aprovada.

 A capa como eu gostava que ficasse...

E a que ficou!!!

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Devido ao acordo entre mim e o autor/editor, tive direito a dez exemplares, que coloquei à venda 
na Livraria Pedranocharco online.

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

MAQUETAS DE ARQUITECTURA (2) – URBANIZAÇÃO DA QUINTA DA CARCEREIRA – Projecto Arq. João Simões Raposo


MAQUETAS DE ARQUITECTURA (2)
PRACETA 
URBANIZAÇÃO DA QUINTA DA CARCEREIRA
Projecto Arq. João Simões Raposo

A maqueta desta Praceta, de um projecto, integrado na Reconversão da Quinta da Carcereira, em Pinhal Vidal - entre a Charneca de Caparica e Corroios –, foi a segunda que realizei para o Arq.º João Simões Raposo, talvez em 1987 ou 1988 - uma vez que a maqueta esteve exposta no stand da Imargem - Associação de Artistas Plásticos de Almada (a que pertencia o Arquitecto), durante a Feira das Indústrias da Cultura, na antiga FIL, em 1988.



  



O stand da Imargem - Associação de Artistas Plásticos de Almada (a que pertencia o Arquitecto), durante a Feira das Industrias da Cultura, na antiga FIL, em 1988.

VISTAS AÉREAS DO LOCAL OBTIDAS NO GOOGLE MAPS:



 Como se pode ver, o pavimento não foi realizado como constava do projecto - talvez por lhe terem acrescentado uns pórticos (havia um bocado a mania dos pórticos nessa altura) nas entradas da praceta, que nesta última foto assinalei com um círculo a branco.

Foto (surripiada do site do actual gabinete do Arqº Simões Raposo) do pórtico assinalado na vista anterior.

O projecto só foi parcialmente construído, como se pode ver nestas vistas aéreas do Google Maps 

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domingo, 23 de junho de 2013

MAQUETAS DE ARQUITECTURA (1) – PRIMEIRA MAQUETA REALIZADA - COMO CHEGUEI A ESTA FASE...

MAQUETAS DE ARQUITECTURA (1)
COMO CHEGUEI A ESTA FASE...

O meu percurso escolar foi uma enorme trapalhada. Mas a decisão de “ser arquitecto” começou a fermentar desde os meus sete anos, quando em Lourenço Marques, actual Maputo, onde vivi com os meus pais dos cinco aos dez anos, via fascinado o meu tio Helder Machado (único tio que tive, irmão da minha mãe, já falecido), que era desenhador na Sonarep (na Matola), a trabalhar no estirador que tinha no quarto dele. O meu tio viveu em nossa casa durante algum tempo e, além do emprego, fazia trabalhos “por fora”, como todos os desenhadores, e nesse curto período teve uma influência muito grande na minha educação e mesmo em despertar interesses de vida futuros. Vi-o muitas vezes desenhar letras, por exemplo...

Em 1963 os meus pais resolveram regressar a Cascais – estava eu quase no final da 4ª classe e que tive de repetir, no Colégio Santa Joana, em Cascais. Depois o meu pai (engenheiro técnico de química, especializado na indústria dos cortumes) foi trabalhar para Alcanena – a minha mãe e os meus irmãos foram com ele – ficando eu em Cascais, à guarda do meu avô materno (o avô Machado), que sabia do meu desejo de “ser arquitecto”, mas não percebia patavina do sistema educativo em vigor. Nessa altura, depois da 4ª classe tinha que se fazer um exame de acesso ao Ensino Preparatório, podendo escolher-se entre o curso do Liceu ou o da Escola Técnica. O meu avô pensou que, para Arquitectura, eu teria de fazer o curso da Escola Técnica e começou aí a trapalhada. Desde a minha entrada no 1º ano do Ciclo Preparatório para a Escola Técnica, em 1963, até finalmente conseguir entrar na Escola Superior de Belas Artes – Curso de Arquitectura em 1980, decorreram dezassete longos anos. Podiam ter sido apenas sete, se tivesse sido colocado na via correcta, ou seja, no Liceu. Nesses dezassete anos, o meu percurso, só para obter a equivalência ao 7º ano do Liceu (alínea H), levou-me a ter de fazer o 2º ano do curso de Engenharia Técnica de Construção Civil e Minas, no Instituto Industrial de Lisboa. Chegado aí comecei a ter dúvidas quanto à Arquitectura e resolvi, em 1973, ir fazer o curso de Formação Artística na Sociedade de Belas Artes de Lisboa (curso pioneiro no ensino do Design em Portugal), onde tive como professores o pintor Sá Nogueira, Jorge Listopad, Daciano da Costa, etc...

Mas a ida para a tropa – em 22 de Abril de 1974 (três dias antes do 25 de Abril) – interrompeu essa tentativa.

Depois da tropa (ainda fui fazer a “comissãozinha de serviço” de seis meses em Angola até quase à independência angolana), do casamento, e de 3 ou 4 anos a “fazer pela vida”, retomei o sonho da Arquitectura. Mas as regras do jogo tinham mudado entretanto, de modo que, em 1979, ainda precisei de completar a equivalência ao 7º ano do Liceu com um exame, da disciplina de Geografia, e... só para chatear, tive também de fazer o malfadado Propedêutico. Portanto, em 1980 lá consegui entrar para a ESBAL. Só que... nessa altura já estava a trabalhar na Ilídio Monteiro Construções (através do meu tio Helder Machado, sempre ele) e, já sem pachorra para aulas, no 2º ano desisti logo no final do primeiro período! Ainda troquei de curso no ano seguinte – para Pintura e Design – mas só aguentei mesmo o 1º período.

Dei então a questão “académica” por encerrada definitivamente!!!

Na Ilídio Monteiro (1980-1983), que acabou por se revelar a minha verdadeira escola, fui desenhador de arquitectura, engenharia e cofragens. Mas também iniciei aí o percurso como designer gráfico – com os catálogos da empresa – e na montagem de exposições, também da empresa. Comecei também a realizar maquetas de arquitectura, primeiro para a empresa, depois por encomendas.

A primeira maqueta que me encomendaram foi de um Centro Comercial para a Sobreda de Caparica, salvo erro, em 1983 ou 1984. O autor do projecto e da encomenda foi o Arquitecto João Simões Raposo, de Almada (onde eu também morava desde 1968), dando início a uma relação de trabalho que durou até 1997. Não fiquei com fotos dessa maqueta.

A segunda encomenda de maqueta de arquitectura foi de um arquitecto de que não recordo o nome. Era um projecto megalómano, de uma moradia gigantesca, para um terreno situado ao lado do “campo da bola” do Monte de Caparica. Claro que essa moradia nunca seria construída. Nas fotos abaixo (feitas pelo arquitecto) pode ver-se a maqueta que realizei e... nas imagens do Google Maps a seguir, pode ver-se o que foi entretanto construído...

O telhado em telhas verdes, era destacável, para se poder ver o interior da moradia. O tecto dos corredores era constituído por sequências de pequenas abóbadas em "pirâmide quadrangular do avesso" - que me deram uma trabalheira do caraças a conseguir.


FOTOS DO GOOGLE MAPS ACTUAIS:
 A localização - no Monte de Caparica, ao lado do "campo da bola", junto à via-rápida Almada - Costa de Caparica...

O terreno com o que entretanto lá foi construído! É caso para dizer que foram "do oitenta para o oito"!

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