terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CAPA PARA O LIVRO "SIMONE DE BEAUVOIR - OLHARES SOBRE A MULHER E O FEMININO" (Nova Vega, Novembro 2010)


A capa para o livro SIMONE DE BEAUVOIR – OLHARES SOBRE A MULHER E O FEMININO, colectânea de textos de Simone de Beauvoir, organizados por Isabel Capeloa Gil e Manuel Cândido Pimentel, foi daquelas capas de parto difícil, trabalhoso e demorado.

Após a relativamente fácil e rápida pesquisa de fotos de Simone de Beauvoir e encontradas as fotos ideais para uma capa, sobretudo definida aquela que para mim era A CAPA do livro, os problemas começaram com a colocação do lettering. A coisa foi de tal ordem que se chegou ao número estapafúrdio de 38 maquetas da capa.


As fotos escolhidas:



A foto, que por si só, era já A CAPA deste livro:



Primeiras propostas (16/09/2010) - 10 das 12 propostas enviadas:






Estas propostas serviram, por assim dizer, para "apalpar o pulso" ao cliente (neste caso mais aos organizadores do livro) e a resposta a estas propostas foi de que, queriam o lettering num único bloco e sem transparências. 
A foto de fundo escolhida, foi "a tal"!

Segundas propostas - 9 das 14 segundas propostas enviadas (24/09/2010):



Esta foi só para chatear...



Aqui começa a definir-se a tendência dos organizadores: queriam o bloco do título a tapar os livros, em baixo, deixando ver-se as mulheres no lado de cima a rodearem a Beauvoir. Isto ia um bocado contra a minha percepção de onde vinha o "movimento" desta foto, exactamente daquela "dança dos livros". Mas o que eles queriam era marcar a presença das mulheres em redor da escritora. Acabei por lhes dar razão, uma vez que "as mulheres" eram o tema do livro e não "os livros".

Terceiras propostas - 4 das 7 propostas/variantes enviadas (1/10/2010):



Estas duas últimas foram uma pequena provocação...

Finalmente chegou-se à fase final, mas que se pode dizer que foi aquilo a que chamei "a dança das finais", porque havia sempre um ou outro pormenor a modificar.

Optei por uma mudança radical: fundo branco para fazer sobressair a foto. E daí resultaram as propostas finais.
Eis 4 das 12 propostas/variantes enviadas (entre 7 e 11/10/2010):



Finalmente, a capa aprovada (18/10/2010):


Plano completo da capa, contracapa, lombada e badanas (16/11/2010):


Uff!!!

sábado, 18 de dezembro de 2010

DESIGNpress (recortes de imprensa sobre design) #1: Henrique Cayatte sobre Andy Warhol e o design, na Cx – a Revista da Caixa (CGD), Outubro 2010

Seguindo um modelo que utilizo no Kuentro (o blogue do BDjornal), para apresentação de recortes de imprensa, que considero de interesse para o tema geral do blogue, inicio aqui a apresentação de textos publicados na imprensa, relacionados com o design, que vou encontrando em jornais, revistas, etc...

Cx – a Revista da Caixa (CGD), Outubro 2010

TER OU NÃO TER

«Um artista é alguém que produz coisas que o povo não precisa de ter,»
Não podia haver afirmação que mais afastasse Andy Warhol do universo do design

Por Henrique Cayatte (designer)

NO ENTANTO, nem tudo o que parece é, e muito do seu trabalho como artista é realizado nalguns dos territórios em que o design se inscreve.

Se imaginarmos que algumas das suas obras, como as latas de sopa Campbell’s, são inspiradas nas tiragens industriais com que os designers lidam no seu quotidiano, percebemos que quase não existe distância entre a percepção que temos de uma marca na parede de um museu ou numa prateleira de supermercado. Warhol, pelo menos, parece ter sempre lutado por isso. Descontextualizar e dessacralizar.

Ao mudar os materiais e as dimensões, é toda a funcionalidade que é retirada.

Com esta atitude, provocou no público uma atenção renovada e um olhar fresco sobre produtos que as pessoas, havia muito, estavam habituadas a ver nas prateleiras desses supermercados e que começavam a ver nas paredes dos museus e das galerias.

Quando, por exemplo, diz que tudo em Hollywood é plástico e que ele próprio gostaria de ser de plástico, ou quando, não só a propósito da Campbell’s como das caixas Brillo, escreve que pinta desta forma porque gostaria de ser uma máquina, Andy Warhol aposta na total quebra das barreiras da percepção.

E consegue-o como poucos.

Numa carta que lhe é dirigida, em 1964, pelo product marheting manager da Campbell Soup Company, é referido o acompanhamento, «por razões óbvias», que a marca tem feito do sucesso alcançado pelos seus trabalhos sobre a lata de sopa de tomate daquela marca.

Muito mais eficiente do que ter encomendado a um designer ou a um publicitário uma campanha sobre aquele produto, as séries que fez para o mercado da arte, e não para o mercado das grandes massas, deram à marca muito mais do que os «quinze minutos de fama», como ele gostava de repetir.

A carta revela, ainda, a impotência deste funcionário em comprar um dos múltiplos que o artista fez devido ao seu elevado preço e remata com um «tomei a liberdade de lhe enviar uma caixa de sopa de tomate para sua casa».

Num comentário, a propósito, feito num blogue brasileiro, escreve-se, com inegável sentido de ácido humor, que, se fosse hoje, a companhia teria enviado uma carta do departamento jurídico a reclamar pelo uso indevido da marca!

Mas os tempos eram outros. Cinco anos depois, Warhol recebe outra carta, esta de Mick Jagger, o ícone dos Rolling Stones, a convidá-lo para desenhar a capa de um dos álbuns mais famosos do grupo: Stychy Fingers.
É exemplar o que Jagger escreve. Começa por lhe agradecer ter aceite o convite, para depois lhe pedir uma proposta de honorários. Mas diz mais. Diz-lhe que a experiência aconselha a que quanto mais simples forem as capas de discos, mais rápido se produzem, mais facilmente são manuseadas e menos atrasos provocam na produção, rematando com um «dito isto, deixo inteiramente nas suas mãos o que quiser fazer».

O resultado foi o conhecido.

Talvez a capa mais complexa de se realizar naquele tempo. Podia abrir-se. o exterior, uma fotografia a preto e branco da parte de cima de umas jeans masculinas e, por dentro, umas cuecas brancas.
Chocou muitas mentalidades, ao ponto de muitas lojas se recusarem a colocá-la nas montras. Foi um dos trabalhos de referência do design dos anos 60, embora tivesse causado muitos problemas no transporte e no empilhamento. É que o relevo do zip - ou, como se dizia também, um fecho éclair -, que se podia abrir e fechar, estragou muitas e muitas capas.
E os discos!
Indesculpável para um designer.

Mas não para um artista para quem ter, ou não ter, um disco em condições de ser tocado não era a questão.



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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

NOVAS CAPAS PARA A EDITORIAL NOVA VEGA

NOVAS CAPAS DA COLECÇÃO "O CHÃO DA PALAVRA/POESIA"
Outubro/Novembro 2010

Na primeira, usando foto fornecida pelo autor.
Na segunda, usando pormenor de "Love", de Gustav Klimt.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

A SAGA DAS CAPAS PARA A COLECÇÃO CALIGRAFIAS, EDIÇÕES 70 – 1987 (2)

Como disse no post anterior, saíram quase de rajada, em 1987/88 quatro ou cinco livros da Colcção Caligrafias, das Edições 70. Depois de A GRANDE ARTE, de Ruben Fonseca e de MIUDAGEM, de Susan Minot (capa que falhei, como expliquei atrás), seguiu-se MORRER, de Arthur Schnitzler, MORTE SUSPENSA, de Maurice Blanchot e LOVE ME TENDER, de Catherine Texier, que foi a última que concebi e realizei. Mais uma vez chamo a atenção para as técnicas que utilizávamos naquela altura: fundos pintados, recortados, fotografados, etc... lettering Mecanorma, transparências com papel vegetal, recortes a x-acto ou tesoura, etc... etc...

O projecto dos layout das três primeiras capas (de que o segundo não foi utilizado, como já disse e que teve a particularidade de o fundo ter sido a fotografia em contraluz de uma chapa de esferovite, onde colei umas figuras pintadas a guache e recortadas), foi todo apresentado em fotografia...

O processo de MORTE SUSPENSA, de Maurice Blanchot:

Maquetas. Fundos pintados a spray, desenhos a lápis de grafite e de cor, quadros em recortes e transparência com vegetal.

 Estudos para a contracapa...

Estudo para a capa (o vegetal, aqui, rasgou-se)...

Capa Final - plano capa, contracapa e lombada:



As outras capas já saíram todas muito naturalmente:

Ilustração toda a guache.


Fundo em cor directa (negro: 100% das quatro cores - cyan, magenta, yellow e black) - ilustração em recorte de foto, com recurso a fotocópia de alta definição a cores, utilizando papel vegetal par dar o efeito...


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sábado, 16 de outubro de 2010

CONVITE DA NOVA VEGA PARA O LANÇAMENTO DE "A REPÚBLICA E OS JUDEUS"


Foi com a capa deste livro que iniciei este blogue. Agora, quem quiser pode ir ao seu lançamento.
Aqui fica o convite (não, não é design meu, mas não está mau).

Sobre o livro
O processo de emancipação dos judeus portugueses foi longo e difícil. Se Pombal manietou a Inquisição no último quartel do século XVIII, os liberais vintistas extirparam-na definitivamente e a República reabilitou e
legalizou as comunidades judaicas. A lei da Separação da Igreja e do Estado e a Constituição de 1911 criaram um novo paradigma religioso, que proporcionou ao judaísmo uma verdadeira liberdade de culto, como nunca acontecera em quase oito séculos de existência do Reino.
As duas maiores comunidades judaicas foram legalizadas em 1912 (Lisboa) e 1923 (Porto), em plena República. Os republicanos no poder não se limitaram a desculpabilizar-se pelos quase três séculos de discriminação, antes chamaram alguns judeus, desde a primeira hora, para colaborarem na obra do novo regime. No lado oposto do projecto republicano, os anti-semitas fizeram tudo o que puderam para denegrir a República. No fundo, o anti-semitismo foi, para os integralistas, essencialmente um pretexto para combater a República. E a República respondeu-lhes com a legalização e a dignificação dos nossos judeus, situação que não mais voltaria a retroceder e se reforçaria após o 25 de Abril de 1974, com a Constituição de 1976 e a Lei da Liberdade Religiosa, de 2001.

Sobre o autor
Jorge Martins é doutorado em História Contemporânea pela Faculdade de Letras de Lisboa (2006) e professor de História desde 1978. Pertence ao quadro da Escola Secundária Braamcamp Freire, Pontinha, é professor convidado do Instituto Superior de Ciências Educativas – Odivelas e investigador do Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE – Lisboa. Tem exercido actividade de formador em centros de formação de professores e é autor de manuais escolares, obras de ficção e ensaio, designadamente, sobre história contemporânea, história local e estudos judaicos. É autor dos três volumes de Portugal e os Judeus e Breve História dos Judeus em Portugal, também publicados sob a chancela Vega.

Destaques
• Investigação inédita sobre a integração dos judeus na sociedade portuguesa após a implantação da República;
• Do mesmo autor da obra Portugal e os Judeus (3 Vols.) e Breve História dos Judeus em Portugal.

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